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quarta-feira, 2 de março de 2016

Oficina de Jornalismo do CP: Percepções e vivências

Oficina de Jornalismo do CP: Percepções e vivências

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Integrantes das oficinas de jornalismo do CP, Rádio Guaíba e TV Record confraternizam no encerramento das atividades.
A rotina de um jornal diário, como a do Correio do Povo, normalmente é um mistério para os leitores e até para os próprios colegas de profissão. É necessário que a sucessão de procedimentos se concretizem para que o papel deixe de ser uma folha em branco e traga efetivamente informação.
Assim como o corpo humano, para funcionar precisa que haja uma harmonia e sintonia entre todos os seus órgãos. No caso do jornal, das suas equipes e departamentos. E, nesta semana, durante a Feira do Livro de Porto Alegre, um dos eventos culturais de maior relevância para a cidade e o Estado, alguns jovens estudantes tiveram a oportunidade de ver o jornal por dentro e, mais do que isso, fazer parte de sua história.
Eles foram pauteiros (escolheram os assuntos), alguns foram repórteres (entrevistando e indagando os fatos), outros fotógrafos (fazendo o registro com um visão diferenciada) ou ambos. Conheceram a importância de cada setor para que a sua reportagem acabe efetivamente na página do jornal. E sentiram a adrenalina de ver a pulsação agitada do coração do jornal: a redação.
E parou por aí? Não. Também tiveram a oportunidade de ver o processo que transforma as páginas prontas no computador nas impressas do jornal, em uma visita ao parque gráfico.
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Com certeza uma semana alucinante nas suas vidas. Sob a coordenação dos jornalistas Marcos Santuário e Luciamem Winck, tiveram contato com dezenas de profissionais, conversaram, ouviram e, com certeza, aprenderam. A seguir, breves relatos da percepção dos estudantes sobre a experiência vivenciada durante a oficina de jornalismo do Correio do Povo 2015, realizada durante a Feira do Livro de Porto Alegre:
“A experiência dessa semana, convivendo dentro da redação do Correio do Povo e vivenciando a rotina de se fazer um jornal diário, foi incrível. Saio daqui com mais convicção que escolhi a profissão certa e com conhecimentos que me ajudarão por toda minha carreira. Agradeço a todos por sua generosidade e paciência, e, se Deus quiser, talvez um dia faça parte desse time de craques.” (Maycon Padua/Unisinos)
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“Me sinto feliz pela oportunidade e o privilégio de fazer parte da Oficina de Jornalismo do Correio do Povo. Acompanho a atividade há alguns anos e nesse ano decidi participar, tive sorte e fui selecionado. Foi uma semana de muita aprendizagem, novos conhecimentos e amizades. Aproveitei cada instante, o que me fez ter a certeza de que escolhi a profissão correta. Só tenho a agradecer ao jornal pela oportunidade que foi muito importante para a minha formação profissional.” (Ubiratan Júnior/Feevale)
“Participar dessa oficina foi uma oportunidade incrível. Sou muito grata aos funcionários do Correio do Povo e aos colegas que participaram desse projeto. Foi apenas uma semana, mas sinto que recebi uma bagagem muito boa que levarei para toda minha vida. Sucesso a todos. Espero reencontrá-los em breve.” (Caroline Borba/Ufrgs)
“Foi uma experiência ímpar e sempre que eu lembrar do por que escolhi a fotografia e porque eu gosto tanto de fotojornalismo, vou lembrar desta semana.” (Fabiano Martins/ULBRA)
“Foi uma oportunidade incrível, que me fez sair da zona de conforto e aprender coisas novas.” (Filipe Pohren/ULBRA)
“Eu adorei! Vejo que foi de máximo aprendizado toda informação que recebemos. Toda equipe se envolveu e foi super atenciosa. E só a experiência de conviver dentro de uma redação já faz toda diferença para um estudante.” (Julyanne Bandeira/Uniritter)
“Foi uma oportunidade incrível. Durante os seis dias de oficina conseguimos viver um pouco da rotina de uma redação e conhecer melhor a profissão que escolhemos seguir.” (Bruna Santos/ULBRA)
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“A experiência de poder aprender e praticar o jornalismo dentro da redação do Correio do Povo, um dos jornais mais importantes do Rio Grande do Sul, foi única. Fiquei muito feliz também em estar entre colegas estudantes, de diversas universidades do Estado. Além de poder conviver por algum tempo, com profissionais do Correio. Preciso agradecer a oportunidade e salientar a importância deste projeto do jornal” (Adriano Dal Chiavon/UFSM)
“A experiência foi incrível. Ter a oportunidade de conhecer a rotina da redação de um jornal tradicional como o Correio do Povo, nos fez crescer como futuros profissionais. No primeiro dia, deu um friozinho na barriga quando nos avisaram que seriamos responsáveis por produzir oito páginas do caderno da Feira do Livro. No decorrer dos dias, o desafio foi ficando mais fácil e a nossa paixão pelo jornalismo se mostrou na Praça da Alfândega. Valeu muito a pena e vai deixar saudades.” (Sofia Schuck/PUCRS)
“Conhecer o Correio do Povo foi incrível! O jornal pode me proporcionar uma experiência de vida e para minha carreira sensacionais. Eu nunca havia sentido uma adrenalina no dia de fechamento de um jornal e adorei. Eu tinha uma dúvida se iria conseguir viver na loucura de uma redação. Agora tenho certeza que quero ser uma repórter e quero estar presente na redação no momento de finalização do jornal. (Treyci Meneses/Unipampa)

terça-feira, 1 de março de 2016

AMOR DESINTERESSADO

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A convivência pode tornar o animal de estimação parecido com o dono? No livro Cara de um, focinho do outro, o psicanalista e veterinário Marcos Fernandes revela que os animais interagem com seus tutores mais do que eles possam imaginar. Dessa relação, é comum animais acabarem apresentando doenças ou comportamentos semelhantes aos de seus tutores – fenômeno explicado por Marcos Fernandes por meio do que ele chama de campos morfológicos.
Nos dias de hoje, dizer a um tutor que seu animal de estimação se parece com ele é um grande elogio. A força do amor, da afetividade e do companheirismo dos bichos, especial­mente os de estimação, é extremamente benéfica para as pessoas. Há inúmeros trabalhos científicos que ilustram o quanto eles fazem bem para a saúde, diminuindo riscos de infarto e hipertensão, bem como auxiliando os pacientes autistas.LC_strip_42151_0_web
Acostumado a ouvir em consultório relatos emocionados de casos de cura de depressão, síndrome do pânico, ansiedade e falta de motivação em que a presença do bichinho fez toda a diferença para sua recuperação, o psicanalista e veterinário homeopata Marcos Fernandes revela na obra Cara de um, focinho do outro, publicado pela Butterfly Editora, que os animais interagem com seus tutores mais do que eles possam imaginar.
Para esclarecer essa relação afetiva, o autor lançou mão da psicanálise. Ao longo dos capítulos, ele expõe várias modalidades de amor projetadas pelos tutores em seus companheiros animais e aborda semelhanças emocionais e físicas entre eles. Dessa relação, é comum animais acabarem apresentando doenças ou comportamentos semelhantes aos de seus tutores – fenômeno explicado por Marcos Fernandes por meio do que ele chama de campos morfológicos.
Ao responder a questões como:
“É possível saber quem é você analisando as características do seu animal?”
“Por que eles se parecem tanto conosco?”
“Em todas as relações existe essa semelhança?”
“Por que estimamos tanto um ‘serzinho’ que não fala, que não nos repreende e dificilmente reclama?”
O autor quer estimular o debate sobre essa conexão multiespécie.
“Entendo que a compreensão da relação entre homem e animal é essencial para que possamos entender como as pessoas influenciam nas doenças dos animais, minimizando-as ou potencializando-as. Sem essa compreensão, os animais doentes acabam peregrinando de veterinário em veterinário sem ter seu sofrimento minimizado. Muitas vezes, por causa da falta de entendimento de que a questão não está exclusivamente no animal.”
Sobre o autor: Nascido na cidade de ­Mococa (SP), Marcos Fernandes formou-se em Medicina Veterinária pela Unesp em 1992. No ano seguinte iniciou a atividade como clínico de cães, gatos e aves ornamentais, profissão que exerce até hoje no bairro da Mooca, em São Paulo. Em 2005 tornou-se mestre em Medicina Veterinária pelo Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da USP. Em 2015 concluiu a formação em psicanálise e, em seguida, fundou o Consultório PSICAVETH (psicanálise, veterinária e homeopatia). É comunicador, apresentador, consultor veterinário em programas de rádio e TV, escreve para revistas e é palestrante em cursos e congressos de medicina veterinária e psicanálise.

Visagismo chega ao mercado Pet

Visagismo chega ao mercado Pet

O visagismo chegou ao mercado pet. Assim como os profissionais dedicados aos humanos, que observam as peculiaridades da pessoa e sugerem, entre outras mudanças, um corte de cabelo, maquiagem e roupas que exaltem suas qualidades de acordo com suas características físicas e estilo de vida, os visagistas de animais de estimação fazem uma análise da estrutura e raça do pet e estilo de vida do dono, determinando qual é o corte mais apropriado para o animal.image002
Um dos profissionais que já oferecem esse novo tratamento estético aos tutores que buscam por um visual diferenciado para os seus bichos de estimação é groomer e empresário Erick Morgado. Para ele, muita técnica e uma excelente noção de harmonia e estética são características fundamentais de um bom visagista. “A tosa exclusiva tem que servir para o pet como o corte de cabelo para nós, que leva em consideração as características físicas, como o formato do rosto, sobrancelha e cor da pele, além do estilo de vida, sempre procurando disfarçar os defeitos e melhorar as qualidades”, comenta o especialista.
Erick diz ainda estudar muito sobre moda e, apesar de seguir as tendências, sempre tem ideias para deixar seus clientes com cortes e penteados únicos. Quando questionado sobre a influência dos tutores em seu trabalho, o groomer diz que tem clientes muito específicos e exigentes. “Mas, normalmente, eles me dão total liberdade na escolha do corte. Tento deixar seus cães e gatos o mais parecido possível com eles”, completa.
Por não ser um serviço comum, é uma ótima oportunidade financeira para os profissionais. “Em média, cobro de R$100 à R$800 reais por uma tosa personalizada. Depende do estilo do corte, raça e tamanho do pet. O trabalho feito em um West H. W. Terrier pode chegar a R$ 500,00, por exemplo”, finaliza o empresário.
Sobre Erick Morgado
No mercado há 15 anos e dono de um currículo com diversos cursos de aperfeiçoamento com groomers renomados, Erick Morgado é atualmente um dos principais nomes do Brasil em banho e tosa. Inventor da tatuagem canina e apaixonado pela estética animal, o profissional de 28 anos foi considerado o grande destaque do Groom Brasil Tosa do Bem 2014.
Desde 2012, Erick é também proprietário da Personal Pet Escola, que oferece cursos de Banho, Banho e Tosa e Banho e Tosa Avançado e prepara os alunos para atuar em um dos segmentos que mais crescem no país. A escola, localizada no bairro do Tatuapé, forma, em média, 50 alunos po

A noite dos fantasmas farristas

A noite dos fantasmas farristasA noite dos fantasmas farristas

Meu tio Carrapicho é quem contava. Eles gostavam das noites de luar, bem claras,  e costumavam acordar no início da madrugada, quando o silêncio dominava por completo a antiga estância das Pedras Mouras, naquela época já transformada num amontoado de taipas abandonadas,  com apenas um casarão antigo ainda de pé. A estampa deles ficava no único lugar da casa que o teto ainda não despencara e onde estavam penduradas as fotografias emolduradas nas paredes cheias de musgos. Duas ou três ainda se mantinham presas nas paredes. As outras haviam caído no chão apodrecidas pelo tempo. Todas estavam rasgadas, os rostos rotos e esmaecidos. O tio jurava  que os velhos barbudos saíam das molduras e que perambulavam pela casa,  pilchados e armados. Saíam faíscas das esporas. No pátio, dançavam e cantavam numa farra macabra que atravessava as madrugadas quentes de verão.
Uma vez fomos buscar uma vaca com cria lá perto e passei pelo local misterioso. A área era coberta por um matagal, cheia de hera, ervas daninhas de todo tipo, caraguatás, bambuzais, carquejas, maria-mole, os antigos alicerces estavam escondidos entre as moitas. Tudo triste e abandonado, com cheiro de passado. Parei para olhar por muito pouco tempo, porque um vento balançou as folhagens, passou por mim, cravou-me na cara um espinho de frio e me deixou um arrepio pela espinha. Tratei de me retirar o mais rápido que podia daquele lugar assombrado, sítio onde os fantasmas perambulavam e ainda se divertiam nas noites mortas. Até o Cacique, um cusquinho baio que tinha à época, olhava para a velha tapera e dava uns grunhidos estranhos, com o olhar assustado.
O Carrapicho conhecera, ainda guri, um dos irmãos proprietários da fazenda. Era um ancião de barba comprida, com um lenço vermelho no pescoço, que nunca tirava. Diziam que era para esconder um profundo corte de faca. Numa revolução, havia sido preso pelo inimigo e quando ia ser executado, chegou a tropa maragata para resgatar os parceiros prisioneiros. Este coronel Salustiano deu um pinote e, mesmo maneado, conseguiu escapar do carrasco. Ficou apenas com um talho grande no pescoço. O irmão dele, Aparício, mais velho, lutara na guerra do Paraguai e falavam que era mau por natureza. “Inimigo bom é inimigo morto”, gritava sempre, enquanto brandia a faca prateada, afiada e depois a enterrava no pescoço do vivente atado à sua frente. Depois chutava-lhe o peito para que morresse estrebuchando. O matador tomava uns goles de canha e depois cuspia o resto sobre o corpo do morto.
Mortos, aqueles espíritos indômitos e peleadores queriam dar vida de novo à estância da família,  fazer alarido, como sempre fizeram. Lá no bolicho, alguns borrachos questionavam, diziam que essas visões eram invenção do povo ignorante.  Não sei, nunca vi os barbudos farristas, mas o tio Carrapicho garantia que os avistara por várias vezes. Pelo sim, pelo não, nunca mais passei lá e essa história acabou esquecida.

Querem matar o índio e o gaúcho


Querem matar o índio e o gaúcho


Sempre surge um “embonecrado”
se passando por moderninho:
Grita fazendo beicinho
e monta do lado errado.
O Rio Grande já está cansado,
desse tipo meio bruxo,
que nem aguenta o repuxo
mas só quer é alardear
a morte…. e a tripudiar
o fim do índio e do gaúcho…
                                                                                  Vivos!
“Os anos vêm e se vão/ E sempre surge algum bruxo/ Querendo dar a extrema-unção/ Para o índio e o gaúcho.”  (João Sampaio)
Jamais morrerão, amigo Sampaio, porque eles viverão em cada acorde de cordeona que abrir o fole num vaneirão sem porteira, num ponteio tristonho de milonga, num mate sorvido ao final da tarde em um oitão de rancho ou numa dessas casas humildes dos arrabaldes. Viverão no interior de um município. Enquanto a nossa gente estiver na frente das casas, mirando o poente, olhando as várzeas estendidas a se perder de vista, o novo povo seguirá de pé. Ele estará sempre por aí, testemunha daquela gente baguala de antanho. Se transformaram, se transmutaram, ergueram outros ranchos, mas não pereceram. Resistem como podem, uns como tratoristas, outros como funcionários de prefeitura, trabalhando com suas bombachas rasgadas, as camisas puídas, as boinas encardidas pelo tempo. À noite sonham com histórias contadas pelos avoengos, vovôs barbudos com rostos desbotados de passado, campeiros  que tanto sovaram arreio no lombo de  matungo por esses eternos caminhos do Sul.
Ah, amigo Sampaio, tu sempre risca de poemas essas páginas em branco e abertas da Pampa, contribui de fato para que a memória deles nunca sucumba nos caldeirões desses bruxos pós-modernos. Não se percam na máquina globalizante da Internet, com seus dentes pós-modernos. Os poetas, os músicos, os compositores, os intérpretes, os escritores, todos os artistas, mangueireando a cultura por onde andam, são os novos tropeiros da memória e da cultura esquecida. Tudo mudou, mestre Sampaio, mas te digo e sei que também concordas,  nosso amor pelo chão sagrado do Rio Grande é o mesmo dos que nos antecederam. Esta terra que já foi o Rio Grande de São Pedro. Um atavismo que fará esse garrão de terra,  meridiano onde tantos tombaram com a lança firme na mão, seguir campeiro, seguir bravo, sempre gaúcho. Eles eram duendes que nem sabiam porque lutavam e porque morriam. Então viraram versos, romances, melodias e ressuscitam sempre quando um livro é retirado da estante.
E os nossos índios? Não se mixam, vão para a beira das estradas vender artesanato, esculpem miniaturas e ainda estão aqui também. Brigam por seus direitos, pela terra deles roubada. Conheci tantos indígenas que mantêm sua dignidade, a cabeça altiva, ensinando aos novos curumins a sua história e a sua cultura. Os caingangues, tecendo o vime, os guaranis trançando a taquara. Trançam fibras e por sua fibra moldam a esperança. O gaúcho e o índio estão tão vivos, até porque um se confunde no outro,  o gaúcho índio e o índio gaúcho, miscigenados, fundindo-se na imaginação, no esplendor das artes que se renovam, que se perpetuam. Eles viverão para sempre no remanso dos rios prateados da alma rio-grandense, na ausência dos que se foram, no silêncio verdejante das invernadas pampeanas e, meus amigos, ficarão plasmados no lirismo fronteiro do genuíno João Sampaio.

8 DE MARÇO É DIA DE LUTA! MULHERES EM DEFESA DA VIDA


PARA MARCAR O DIA INTERNACIONAL DA MULHER COMO UM DIA DE LUTA POR UMA SOCIEDADE SEM DISCRIMINAÇÃO DE GÊNEROS, SINDICATOS E COLETIVOS DE PELOTAS ESTÃO PREPARANDO UMA SÉRIE DE ATIVIDADES DURANTE OS DIAS 8/03 (TERÇA-FEIRA) E 12/03 (SÁBADO).

O evento “Mulheres em defesa da vida” tem como eixo central a violência contra a mulher, tema que envolve questão do saneamento público e da segurança e soberania alimentar.
A primeira atividade do dia 8/03 começa às 14h, com um ato em frente à Prefeitura de Pelotas, quando haverá entrega de uma carta de reivindicações à vice-prefeita, Paula Mascarenhas, e à diretora de Políticas para as Mulheres, Daiane Dias. Paralelamente, ocorre o esquenta da bateria para a saída da Marcha, que sairá às 15h30 e passará pelo centro da cidade, encerrando-se no Largo Edmar Fetter (Mercado Público), local onde às 17h ocorre a Audiência Pública convocada pelo Legislativo municipal. No sábado, 12/03, seguindo a programação, haverá uma roda de conversa na Praça Coronel Pedro Osório, com início previsto para as 15h. Intervenções artísticas irão compor a tarde de atividades.
O evento é uma realização da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Pelotas (ADUFPel-SSind), Associação dos Surdos e Surdas, Capelania UCPel, Cáritas Arquidiocesana, Comitê em Defesa da Água Pública, Coletivo Alicerce, Coletivo Juntas!, Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro, Grupo Autônomo de Mulheres de Pelotas (Gamp), Levante Popular da Juventude, Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos, Movimento Rua – Juventude Anticapitalista, Sindicato dos Bancários, Sindicato dos Municipários (Simp), Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias e Cooperativas da Alimentação (Sticap), Sindicato dos Servidores Municipais do Saneamento Básico (Simsapel), Sindicato dos Trabalhadores Domésticos.
A LUTA É AGORA!
A violência contra a mulher possui diversas facetas, sendo que as mulheres mais atingidas são as pobres, negras e trans. No Brasil, a cada cinco mulheres, três já foram violentadas – seja psicológica, física ou financeiramente – em algum relacionamento. Os dados assustadores não param: em 2013 foram registrados 4.762 feminicídios e, em 2014, 50.320 casos de estupro.¹
Em Pelotas, no ano de 2015, foram registradas 2.999 ocorrências², em que os crimes de maior incidência são os de ameaça e lesão corporal. 25 foi o número de prisões solicitadas. A Delegacia de Polícia para a Mulher de Pelotas, conhecida como Delegacia da Mulher, foi criada em 1999 e atualmente conta com apenas duas viaturas e 12 policias lotados. Para dar conta do volume de registros e investigações, é fundamental que o governo do Estado do Rio Grande do Sul (RS) invista mais nas delegacias de mulher, sendo que o Executivo municipal pode pressionar os órgãos do governo para que isso ocorra. Patrulha da Maria da Penha, atendimento 24 horas (a Delegacia funciona apenas em horário comercial) e aumento do número de policiais que trabalham na Delegacia da Mulher são alguns das demandas que ajudariam a sanar problemas como a dificuldade de acesso das mulheres ao serviço das delegacias, a desistência em registrar o crime sofrido e a lentidão para apurar os inquéritos abertos. Vale ressaltar que estes problemas estão relacionados ao desmonte que o governo Sartori vem realizando nos serviços públicos no RS.
Além disso, 2015 foi o ano em que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei (PL) 5.069, do deputado Eduardo Cunha, que dificulta o atendimento às mulheres vítimas de estupro e torna crime “induzir ou instigar a gestante a praticar aborto ou ainda lhe prestar qualquer auxílio para que o faça”. O mesmo projeto também abre margem para a criminalização da pílula do dia seguinte, sendo que a pena para o uso e comercialização desta substância pode chegar a dois anos.
A partir da aprovação do PL 5.069 na CCJ, em outubro, milhares de mulheres pelo Brasil foram às ruas manifestar-se contra as medidas. A intensa mobilização, que ficou conhecida como a Primavera das Mulheres, além de reivindicar a autonomia da mulher sobre o seu corpo, também foi o movimento que pediu o Fora Cunha!, devido ao fato do deputado estar ligado grandes esquemas de corrupção e realizar manobras e projetos de lei que colocam em risco direitos historicamente conquistado por grupos marginalizados.
violência mulherOutro ataque às mulheres trabalhadoras foi início do processo de privatização do Serviço Autônomo de Saneamento de Pelotas (Sanep). Esta é mais uma medida que fere diretamente as mulheres. Saneamento básico e água são direitos de toda a população e privatizar esses serviços acarretaria em um aumento abusivo no valor da conta de água. Segundo a WaterAid, uma em cada dez mulheres no mundo não conta com água limpa. Ainda, a falta de saneamento está na raiz de problemas como a mortalidade materna e infantil e a dificuldade de acesso à água é uma das causas de subnutrição e morte.
Ainda, é importante debater a questão da segurança e soberania alimentar. Estas questões estão ligadas ao direito e acesso a alimentos de qualidade, sem venenos e que resultem de uma agricultura limpa. O tratamento do produto como mercadoria, a expansão do agronegócio e os parcos incentivos aos pequenos produtores colocam em risco o direito a uma alimentação saudável e de alto valor nutricional. As grandes redes e indústrias de alimentos, a manutenção dos latifúndios e o desinteresse pela distribuição igual de terras, nesse sentido, produzem mais uma das violências contra a mulher, uma vez que, segundo Michael Pimbert, do Instituto Internacional para o Meio Ambiente e Desenvolvimento (IIED), as mulheres “constituem a maioria da força de trabalho dos sistemas alimentares locais e contribuem de maneira significativa para a segurança alimentar e a economia local”.
É por esses e outros tantos motivos que as mulheres de Pelotas irão às ruas nos dias 8 e 12 de março. O ano de 2015 foi de duros ataques aos direitos do gênero feminino, mas também foi de mostrar força. Em 2016 não será diferente. As mulheres mostrarão mais uma vez que fortalecidas e unidas farão frente ao machismo cotidiano, ao machismo institucionalizado e às interferências religiosas sobre seus corpos.

PROGRAMAÇÃO

Terça-feira (8/03)
- 14h – Concentração/ato em frente à Prefeitura
- 15h – Entrega de uma carta de reivindicações à vice-prefeita
- 15h30 – Marcha pelo Centro de Pelotas
- 17h – Audiência Pública no Largo Edmar Fetter (Mercado Público)

Sábado (12/03)
- 15h – Roda de conversa na Praça Coronel Pedro Osório e intervenções artísticas
¹ Pesquisa realizada pelo Instituto Avon em parceria com o Data Popular.
² Dados da Delegacia da Mulher de Pelotas

DOIS CASAIS SÃO ALVOS DE ASSALTOS VIOLENTOS

Três homens encapuzados assaltaram um casal que chegava em casa na localidade de Figueirinha, no 4º distrito. O Rapaz foi agredido a coronhadas e a jovem foi ameaçada de ser estuprada. O casal teve de entregar aos bandidos, além do carro, um Ford Focus de cor prata, os documentos, dinheiro e celulares. Antes de fugirem, os bandidos amarraram as vítimas no alambrado de proteção da propriedade.
Aqui na cidade, nas Doquinhas, região do Porto, outro casal foi alvo de dois bandidos. Mediante ameaça com armas os acusados tiraram as roupas e calçados do rapaz, deixando-o só de cuecas. Roubaram o carro, um automóvel Gol de cor branca, celular, documentos e dinheiro das duas vítimas.
Cabeçalho◘ Maconha
No domingo pela manhã, no Município de Pinheiro Machado a guarnição da Brigada Militar apreendeu um menor de idade, que tinha em sua posse 430 pedras de crack e 570 gramas de maconha. O menor foi conduzido à Delegacia de Polícia.
Em Pelotas, no Centro, policiais militares da Patrulha Tático Móvel do 4º Batalhão de Polícia Militar, em patrulhamento, abordaram um jovem de 21 anos que tinha em sua posse 40 pedras de crack e  R$22,00. O acusado de tráfico foi conduzido para a Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento.
MaconhaNo Pestano, Zona Norte, policiais militares que estavam em atividade de patrulhamento, abordaram um rapaz de 19 anos, que tinha em sua posse nove petecas de cocaína e R$15,00. Ele foi levado para a delegacia, onde foram realizados os procedimentos legais.
 

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dia 8 de março dia internacional da mulher

dia 8 de março dia internacional da mulher todos nos nascemos de uma mulher entao nao vamos bater em mulher nao facao maldades ja mais a uma mulher